No Brasil de 2025, a relação entre rendimento empresarial e bem-estar social ganha novos contornos. Este artigo explora com profundidade os desafios e oportunidades para o investidor acionista, estimulando reflexões sobre impactos econômicos e sociais.
Panorama Macroeconômico e Resultados das Estatais
O país vive um cenário de forte expansão de lucros. Nas estatais federais, o lucro acumulado atingiu R$ 136,3 bilhões nos primeiros nove meses de 2025, impulsionado por alta de 22,5% em relação ao mesmo período de 2024.
O faturamento conjunto chegou a R$ 1,017 trilhão, com crescimento de 6,3%. Ao mesmo tempo, os investimentos se destacam: até setembro de 2025, as estatais aplicaram R$ 86,4 bilhões, valor 34,3% superior ao ano anterior e parte de uma trajetória de alta que registra 87% de crescimento de 2022 a 2024.
Dinâmica de Participação entre Lucros e Salários
Enquanto o excedente operacional bruto das empresas saltou de 32,3% para 37,5% do PIB entre 2016 e 2021, a participação dos salários recuou de 35,5% para 31%, atingindo o pior nível em 16 anos.
Esse movimento contrasta com o período de 2004 a 2016, quando a fatia dos rendimentos trabalhistas passou de 30,6% para 35,67% do PIB, com queda equivalente no excedente.
Principais Fatores de Crescimento de Lucros
Diversos elementos contribuíram para essa reviravolta:
- Aumento do desemprego e perda de poder de barganha frente à inflação;
- Influência da reforma trabalhista na negociação coletiva;
- Impacto econômico da recessão e pandemia, que reduziram salários reais.
Investimentos e Retorno aos Acionistas
O ciclo de lucros robustos das estatais refletiu-se na distribuição de resultados: até o terceiro trimestre de 2025, foram pagos R$ 65,1 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, sendo R$ 33 bilhões destinados à União e R$ 32,1 bilhões a acionistas privados.
Essa prática atrai investidores em busca de rendimento consistente, mas levanta a pergunta sobre a destinação desses recursos no longo prazo e seu potencial de geração de empregos.
Perspectivas Críticas e Impactos Sociais
O economista Pedro Paulo Zahuth Bastos alerta para os reflexos dessa dinâmica: a redução da massa salarial freia o consumo e enfraquece o mercado interno, gerando risco de estagnação a médio prazo.
- Desigualdade e impacto no consumo doméstico, com menor gasto das famílias;
- Possível não reinvestimento em atividades produtivas, privilegiando ativos financeiros;
Para Bastos, quanto maior a parte do PIB destinada aos trabalhadores, maior será o estímulo ao setor produtivo e à coesão social.
Visão das Empresas Privadas e Remessas ao Exterior
As empresas estrangeiras também mostraram força: em dezembro de 2025, remeteram US$ 17,995 bilhões em lucros, recorde histórico. As remessas líquidas de lucros reinvestidos somaram US$ 11,4 bilhões negativos, pouco antes de nova taxação sobre essas operações.
Esses movimentos indicam o apetite de investidores globais pelo mercado brasileiro, mas evidenciam desafios para captação de recursos e expansão de atividades no país.
Estrutura Institucional das Estatais
O governo federal detém 44 estatais de controle direto, sendo 27 não dependentes do Tesouro e 17 dependentes. Das não dependentes, 24 divulgaram balanço até setembro de 2025, com 21 apresentando lucro e três registrando prejuízo.
Esse conjunto reforça a relevância estratégica dessas empresas, tanto para política econômica quanto para o investidor que busca exposição ao setor público.
Considerações Finais para o Investidor Acionista
O crescimento robusto de lucros oferece oportunidades atraentes de retorno, mas também exige visão crítica sobre seus efeitos na economia real. O investidor acionista bem-sucedido deve avaliar empresas com governança forte e compromisso de reinvestimento em projetos que gerem empregos e infraestrutura.
Ao decidir aportes, é fundamental equilibrar a busca por rendimento com a atenção aos indicadores sociais e setoriais, garantindo uma carteira que reflita não apenas rentabilidade imediata, mas também sustentabilidade de longo prazo e impacto positivo para a sociedade.
Referências
- https://www.brasildefato.com.br/2024/02/05/participacao-dos-salarios-no-pib-brasileiro-caiu-12-em-cinco-anos-lucro-das-empresas-cresceu/
- https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2026/janeiro/lucro-das-estatais-aumenta-22-e-chega-a-r-136-bilhoes-ate-o-3o-trimestre-de-2025
- https://www.gov.br/secom/pt-br/acompanhe-a-secom/noticias/2026/01/estatais-tem-lucro-de-r-136-3-bilhoes-e-aumentam-investimentos-em-2025
- https://jovempan.com.br/noticias/economia/em-dezembro-lucro-de-empresas-estrangeiras-no-brasil-foi-o-maior-da-serie-historica.html
- https://www.infomoney.com.br/economia/envio-de-lucros-ao-exterior-bate-recorde-em-dezembro-antes-de-taxacao-entrar-em-vigor/
- https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticassetorexterno
- https://balanca.economia.gov.br/balanca/pg_principal_bc/principais_resultados.html
- https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/servicos/22649-demografia-das-empresas-e-estatisticas-de-empreendedorismo.html
- https://br.investing.com/academy/stocks/empresas-mais-valiosas-do-brasil/







