Empréstimo: Ferramenta de Crescimento ou Armadilha?

Empréstimo: Ferramenta de Crescimento ou Armadilha?

Em um cenário econômico cada vez mais complexo, empresas e empreendedores enfrentam o dilema de recorrer ao crédito bancário. As decisões de financiamento podem impulsionar projetos ambiciosos ou gerar endividamento difícil de reverter.

O Dilema dos Empréstimos

Quando falamos em empréstimos, balancear riscos e benefícios torna-se essencial. No Brasil e em Portugal, contextos distintos mostram como as taxas, o suporte institucional e os critérios de concessão podem influenciar o sucesso ou o fracasso de um negócio.

Por um lado, o acesso a recursos financeiros amplia horizontes e fortalece a capacidade de investimento; por outro, juros elevados e spreads altos expõem empresas vulneráveis a ciclos de dívidas difíceis de gerenciar.

Benefícios do Crédito para Empresas

Estudos no Brasil indicam que 56% dos empreendedores alcançam estabilidade financeira após obterem crédito, enquanto 32% relatam melhoria na qualidade de vida. Em Portugal, o montante de crédito às empresas atingiu €73,1 mil milhões em maio de 2025, representando um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior.

Apoiar iniciativas por meio de empréstimos pode gerar um impacto no crescimento financeiro e na inovação. Muitos negócios utilizam esses fundos para ampliar a linha de produção, contratar novos talentos e investir em tecnologias de automação.

  • Melhoria na perspectiva de negócios: 46% dos tomadores observam avanço significativo;
  • Apoio ao equilíbrio vida pessoal e profissional: 57% relatam menor tensão entre trabalho e vida privada;
  • Expansão operacional e de equipe: cerca de um terço atingem metas estratégicas.

No setor de construção e imobiliário português, o crédito cresceu 6,3% em maio de 2025, impulsionando investimentos que representaram mais de 2% do PIB e suportaram 12.500 empresas.

Riscos e Armadilhas do Endividamento

Entretanto, o recurso ao crédito nem sempre traz resultados positivos. Em períodos de crise, oferta e procura podem se retrair simultaneamente, deixando empresas sem acesso a capital na hora em que mais precisam.

Em Portugal, a participação dos empréstimos bancários no financiamento total das PME caiu de 67,6% em 2007 para 48,1% em 2018. Esse movimento refletiu uma oferta e procura contraídas na crise, gerando impacto direto na capacidade produtiva.

  • Spread de juros: PME enfrentam taxas até 3,5% superiores às de grandes empresas;
  • Dependência excessiva: choques negativos no crédito reduzem produtividade;
  • Juros altos: 82% das empresas relatam dificuldade em financiar projetos.

Tais fatores podem levar a um ciclo de endividamento crescente, em que novas dívidas servem apenas para cobrir parcelas anteriores, resultando em aumento do custo financeiro e comprometimento do fluxo de caixa.

Desigualdades por Porte, Setor e Gênero

Os dados revelam ainda disparidades relevantes. Microempresas em Portugal cresceram 11,3% em crédito, enquanto as médias apresentaram queda de 2,8%. Setores como comércio e transportes tiveram aumento moderado de 1,8%.

No Brasil, fundos de impacto voltados a mulheres empreendedoras mostraram que 50% destas alcançaram melhor gestão financeira em comparação com 35% dos homens. Além disso, 44% relataram redução significativa de estresse financeiro.

  • Gênero: mulheres alcançam metas estratégicas em maior proporção;
  • Porte: grandes empresas pagam spreads menores, garantindo acesso mais barato;
  • Setor: construção lidera crescimento de crédito em Portugal.

Alternativas ao Crédito Tradicional

Para mitigar riscos, empreendedores podem explorar opções além dos empréstimos bancários convencionais. Fundos de impacto, subsídios públicos e programas de capacitação oferecem caminhos mais sustentáveis.

O programa Estímulo no Brasil combina microlearning via WhatsApp, mentoria e networking, gerando relação positiva com crescimento econômico sem onerar o empreendedor com juros excessivos. Essas iniciativas demonstram que crédito pode vir acompanhado de suporte técnico e social.

Em Portugal, bancos de fomento como o BPF oferecem linhas dedicadas a inovação e sustentabilidade, incentivando projetos de energia renovável e economia circular, contribuindo para o desenvolvimento regional.

Resumo de Indicadores-Chave

Conclusão

Empréstimos podem ser tanto alavancas de transformação quanto armadilhas financeiras. A chave está em avaliar cenários, comparar alternativas e buscar linhas alinhadas a cada perfil.

Com planejamento estratégico, gestão de riscos e acesso a programas de capacitação, o crédito pode se tornar um instrumento de progresso, fortalecendo negócios, gerando empregos e promovendo impacto social.

O desafio é, portanto, equilibrar oportunidades e perigos, adotando práticas responsáveis para que o empréstimo seja, de fato, uma ferramenta de crescimento.

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros, 36 anos, é assessor de fusões e aquisições no inovamais.net, apoiando empresas médias em negociações estratégicas para elevar valuation e expansão sustentável.